Sentimentos são como a bruma são águas da cachoeira Um branco véu de espuma fluindo em uma vida inteira Sentimentos são liberdade o cantar de uma paixão Uma pontada de felicidade num cantinho do coração Sentimentos são luzes contentes carregadas de brilho ofegante A face de um lindo sol poente a presença de alguém tão distante E se reduzir fosse possível as palavras em uma canção Sentimentos seriam algo plausível além da pura emoção. Maior amor nem mais estranho existe Que o meu, que não sossega a coisa amada E quando a sente alegre, fica triste E se a vê descontente, dá risada. E que só fica em paz se lhe resiste O amado coração, e que se agrada Mais da eterna aventura em que persiste Que de uma vida mal aventurada. Louco amor meu, que quando toca, fere E quando fere vibra, mas prefere Ferir a fenecer - e vive a esmo Fiel à sua lei de cada instante Desassombrado, doido, delirante Numa paixão de tudo e de si mesmo. Vinícius de Moraes |
sexta-feira, 22 de abril de 2011
Sentimentos (Vinícius de Moraes)
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Belo poema
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